Uma auditoria iniciada pela Prefeitura de Anápolis está revisando os afastamentos por licença médica concedidos a servidores municipais após o município registrar que 4.550 dos 7.605 servidores ativos ficaram afastados por motivos de saúde em algum momento do ano, o equivalente a 58,8% do quadro funcional. Além do volume de licenças, a administração municipal também cita o impacto financeiro dos afastamentos. Segundo a prefeitura, a folha de pagamento gira em torno de R$ 54 milhões por mês, sendo aproximadamente R$ 27 milhões destinados a servidores que estavam em licença médica.
Embora ressalte que os números não indicam, por si só, qualquer irregularidade, já que os afastamentos podem decorrer de enfermidades devidamente comprovadas, a auditoria identificou situações que despertaram suspeitas e levaram ao encaminhamento de informações para órgãos de investigação. Um dos casos envolve um médico concursado que, conforme levantamento divulgado pela TV Anhanguera, permanece afastado da função municipal desde 2024 por licença médica. Nesse período, ele recebeu mais de R$ 360 mil da prefeitura sem exercer as atividades. Paralelamente, segundo a investigação administrativa, continuou desempenhando normalmente um cargo no governo federal, com remuneração superior a R$ 20 mil mensais.
Outro episódio apurado diz respeito a um professor da rede municipal que estaria licenciado desde 2025. De acordo com a auditoria, ele recebeu cerca de R$ 265 mil durante o afastamento enquanto manteve atividades em um cargo vinculado ao governo estadual, também remunerado. A prefeitura destaca que a acumulação de cargos públicos é permitida nos casos previstos em lei. O foco da apuração, entretanto, é verificar situações em que o servidor tenha sido considerado incapaz apenas para exercer a função municipal, permanecendo apto para atuar em outro órgão público.
O Estatuto dos Servidores de Anápolis estabelece que a licença médica pode ser concedida por até dois anos, desde que o servidor seja submetido a avaliações periódicas pela junta médica oficial. Encerrado esse prazo, caso a incapacidade persista, a legislação prevê aposentadoria por invalidez ou readaptação para função compatível com a condição de saúde. Em entrevista à TV Anhanguera, o prefeito Márcio Corrêa informou que a revisão será ampliada para todos os afastamentos por licença médica e disse que os procedimentos administrativos já foram iniciados.
A prefeitura pretende instaurar processos disciplinares, buscar o ressarcimento dos valores pagos quando houver comprovação de irregularidades e encaminhar os casos ao Ministério Público e à Polícia Civil. Ele também defendeu a apuração da atuação dos responsáveis pela concessão das licenças consideradas suspeitas e indicou que o acompanhamento desse tipo de afastamento deverá se tornar permanente. As investigações continuam em andamento. Até o momento, os nomes dos servidores envolvidos não foram divulgados pelas autoridades.
















